sexta-feira, 10 de Julho de 2009

INQUIETAÇÕES…

Não se leia ou interprete para além do que pragmaticamente estas ligeiras observações pretendem.
Sinto que se me impõe transmitir aos meus conterrâneos algo que me perturba, me desgosta, me fere como Valpacense.
Não sou pretendente ou presumível candidato a qualquer cargo que brevemente se irá disputar em mais um acto eleitoral.
Move-me apenas e tão só o sentido da responsabilidade e o olhar atento e preocupado, quanto baste, que não deixou de me ocupar após o meu afastamento das lides políticas e autárquicas.
Assim, e resultante da observação diária e de alguma reflexão, penso que será útil para Valpaços e aos Valpacenses, dar a conhecer algumas das minhas críticas (?) ou impressões.
É com bastante apreensão que verifico um galopante esvaziamento da qualidade de vida da nossa terra e Concelho. As semanas sucedem-se num ritual habitual e acomodado, sem novidades, assustadoramente preocupante. Vamos entrar em período de férias escolares e faltar-nos-á algum movimento e agitação natural da juventude que frequenta os estabelecimentos de ensino. Este facto vai ilusoriamente ser colmatado com a vinda de alguns compatriotas emigrantes que ainda vêm gozar alguns dias de descanso e saudade dos seus ancestrais, enquanto vivos, ainda que seja cada vez mais habitual serem dias fugazes de passagem para as praias do litoral.
As esplanadas da cidade, outrora fervilhantes, cada vez menos cheias, vão-se ressentindo desta realidade que se questiona. Porque há cada vez menos gente em Valpaços? Porque deixou de se frequentar o Jardim Público? Porque acabaram as tradicionais verbenas de S.to António, S. João e S. Pedro? Onde estão, para onde vão os Valpacenses? Porque abandona a juventude o concelho de Valpaços? É aliciante viver em Valpaços?
Entretanto, outras questões mais políticas se colocam e causam alguma perplexidade e poderá até aventar-se que delas dou nota por algum resquício, que ainda sobrevive, da minha longa experiência e actividade autárquica.
Recentemente e neste mesmo Jornal, respondi a algumas questões, entre elas, que medida imediata tomaria se fosse eleito Presidente do Município. Recebi algumas notas e impressões sobre o mistério (?) da minha resposta que relembro: " promoveria de imediato uma auditoria, independente e isenta, aos recursos humanos do Município ".
Regresso a este tema, sem grandes delongas, pois parece que incomodou ou incomoda o sentido, ou o sentido que lhe possa ser dado, da minha resposta.
Tenho por convicção que, o cargo de Presidente ou outro qualquer de funções executivas deve ser exercido " para o bem ou para o mal " com " maior ou menor simpatia ", em permanente atitude pragmática e com sentido de justiça, responsabilidade e missão.
Assim e ainda que ao titular de tais funções não possa ser exigida a qualidade de omnipresença, deve, rodear-se de colaboradores com qualidade e oportunidade que promovam o que em última análise os eleitores e cidadãos esperam. Este desígnio estende-se às hierarquias funcionais.
Quero com isto dizer que não será totalmente líquido atribuir-se imediata responsabilidade aos decisores políticos por falhas ou situações anómalas verificadas no quotidiano da comunidade. Exemplificando: será exclusiva responsabilidade do Presidente do Município a degradação que se verifica no equipamento urbano da Praça da República?
Não é, mas passará a ser se em tempo útil e razoável o Presidente não exercer a sua tutela sobre o sector ou departamento responsável pela conservação e manutenção desse equipamento urbano.
Será da exclusiva responsabilidade do executivo o asseio e limpeza geral urbana da cidade? Do regular e oportuno funcionamento das infra-estruturas desportivas e de lazer? Da qualidade e segurança do equipamento dos Parques Infantis?
Estas e outras mais haveria a equacionar.
Cada um terá, certamente, a sua visão e importante seria que das mesmas dessem nota sem receios.
Creio que é da frontalidade que pode nascer outra visão na resolução de carências e faltas que nos afectam.
Estas linhas são mais um modesto contributo por prazer e amor à minha terra.
Existe alguma fertilidade em comentários sobre o que se passa ou não em Valpaços. Alguns oportunos e que me merecem concordância, mas infelizmente pecam por se subscreverem no anonimato ou sob pseudónimos. Até breve.

Gaspar Borges
In http://tribunavalpacense.com/web2/index.php?option=com_content&view=article&id=163:inquietacoes&catid=89:opinioes-sociedade&Itemid=263

2 comentários:

elisabete disse...

amigo sérgio,as autarquias de certeza que jà se puseram essa questao,mas é mais comodo deixar andar.é aprazivel viver em valpaços,mas onde nao hà emprego,a terra que dà menos,os produtos estao mais caros,para mim que sou emigrante a 4 anos digo que,essas sao umas fortes razoes se nao a principal razao de todo o nordeste transmontano estar a ficar vazio,onde nao ha qualidade de vida nao ha vontade de fazer a festa.como diz a minha mae,a barriga dà horas e se nao ouver com que a entreter nao hà galo que cante.devo dizer enquanto emigrante e conterranea,faz-me imensa pena que as coisas estejam a ficar assim,mas eu nao sou a melhor pessoa para falar,afinal,eu tambem sai do concelho e do pais em procura de uma vida melhor para mim e para a minha familia.entao agora com a crise economica que bateu todo o mundo,facilita ainda mais a que as pessoas desertem de tras-os-montes e nao so.eu costumo frequentar um café portugues,e por coincidencia ou nao,as pessoas que frequentam esse café sao de:famalicao,viseu e arredores,tras-os montes"valpaços,carrazedo,crasto"murça e izeda,concelho de mirandela. mas conheço bastantes de aveiro,mas a maioria é de viseu e arredores de viseu.para mim que sou quase uma pessoa que nem sabe ler"lol"acredito que sao as regioes onde nao ha ou quase nao ha trabalho,e consequencia ,no ha motivo para ficar.eu tenha casa no concelho de paredes,a 15 km do porto e é considerado o concelho mais jovem do pais,considerado a rota dos moveis"porque em todas as casas tinha uma oficina de moveis"digo tinha pq a maioria faliu,no momento em que se começava a falar da crise foi,tudo para espanha,apesar de haver estruturas de desporto,praias,e festas.na terra do meu marido que é cidade a 10 anos,houve lugares que so se viam as mulheres,os homens so se viam de 15 em 15 dias.resumindo,é preciso ver onde anda mesmo o mal,para se procurar a cura.apesar de ser valpaçense,acho que esse mal,deve ser tratado,mas nao é so de valpaços.acho que é um mal nosso enquanto portugueses,recusamos avançar com medo do desconhecido,com medo de ser pior do que o que temos,e quando nos apercebemos que deviamos ter avançado,desculpamo-nos com "ninguem podia advinhar"as vezes conseguimos ver que estamos atrasados em relaçao a europa,mas ha coisas em que nao estamos assim tao atrasados.depende um pouquinho das regioes e do ponto de vista.mas concordo que se deveria ver o que se pode fazer e se possivel,faze-lo,se nao for por mais,para dar-mos o exemplo.bem haja

stefan disse...

Eu tenho 16 anos e para ser sincero acho que Valpaços é uma "seca"... Não há nada de interessante que chame a atenção da população... Eu não consigo perceber como é que a camâra de Valpaços consegue estar endividada, pois, aparentemente não há desenvolvimento nesta cidade... Na minha opinião faz-nos falta uma pessoa jovem a liderar na CM, pessoa essa que seja criativa e que tenha a capacidade de inovar esta terra que mais parece o "fim-do-mundo".

Isto é a minha opinião... Seria bom a abertura de um forum para se poder discutir sobre os mais variados assuntos de Valpaços e, o mais importante ter uma área onde pudessem ser dadas sugestões e ideias... Eu acho que a palavra chave é mesmo essa... IDEIAS é o que falta...

Nem um cinema existe nesta cidade... vergonhoso...

Cumprimentos